As políticas curriculares têm sido produzidas e implementadas recorrentemente por diversas esferas e escalas de poder no Brasil nas últimas décadas. Uma das marcas presentes em seus textos é o discurso do “novo” que se apresenta como salvacionista da Educação Básica, imputando aos professores e escolas a sua implementação. Tratam-se de políticas que não se limitam aos documentos curriculares em si, mas que se estendem a todas àquelas que incidem direta ou indiretamente nas práticas docentes e nas configurações que as escolas passam a assumir: são as políticas de avaliação, as políticas de livros didáticos, as políticas de ingresso universitário, de progressão na carreira docente etc.

Atualmente, vivenciamos a eminência da publicação, pelo MEC, da Base Nacional Comum Curricular, que tem por objetivo explicitar “os conhecimentos essenciais aos quais todos os estudantes brasileiros têm o direito de ter acesso e se apropriar durante sua trajetória na Educação Básica, ano a ano, desde o ingresso na Creche até o final do Ensino Médio”. Muitas questões emergem de um documento desta natureza e nos cabe, na condição de professores da educação básica, formadores de professores, pesquisadores e estudantes da licenciatura, discutir e refletir sobre seus limites e possibilidades, sua potência real como documento unificador de sentidos hegemônicos e homogeneizantes, bem como suas brechas para ações de subversão.